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MUNDIARIO

Aline de Beuvink especifica algumas vantagens da monarquia sobre a república

As vantagens da Monarquia Constitucional sobre a República são imensas e de diversa ordem. Aline de Beuvink sintetiza algumas que, do meu ponto de vista, sejam talvez as de maior relevância.

Aline de Beuvink especifica algumas vantagens da monarquia sobre a república
Aline Gallasch Hall de Beuvink.
Aline Gallasch Hall de Beuvink.

Aline de Beuvink especifica algumas vantagens da monarquia sobre a república. "As vantagens da Monarquia Constitucional sobre a República são imensas e de diversa ordem", explica.

- Pode especificar algumas vantagens da Monarquia sobre a República?

- As vantagens da Monarquia Constitucional sobre a República são imensas e de diversa ordem. Sintetizarei algumas que, do meu ponto de vista, sejam talvez as de maior relevância. Em primeiro lugar, a vantagem temporal: enquanto os que concorrem à Presidência da República pensam e trabalham segundo os ciclos eleitorais (de 4 ou 5 anos), tendo em vista medidas que sejam populares para lhes garantir as reeleições, os monarcas têm em consideração o futuro do país a longo prazo. Colocam os interesses do Estado acima dos seus próprios, o que não acontece na República. Nesta, demasiadas vezes precisam pagar favores aos amigos e àqueles que deram dinheiro para as campanhas, e que os ajudaram a conseguir esses lugares, aumentando a corrupção. A vantagem temporal tem em si uma outra, a da estabilidade: ter o mesmo Chefe de Estado permite uma estabilidade dentro do país, mas também fora, numa imagem de coesão e de unidade. Ora, aqui temos a terceira vantagem: a ideia de unidade da Nação. Como o rei está acima de qualquer partido, transmite a imagem de unidade e estabilidade do país, para além de neutralidade. É que, exactamente por haver esse distanciamento dos partidos, permite a imparcialidade no trato com os diferentes Governos, o que é infinitamente mais justo. E, claro, é indiscutivelmente mais barato! Não se gastam dinheiros públicos em eleições para a Presidência nem em reformas de ex-Presidentes. Quando as pessoas se queixam que, sob uma Monarquia, têm de sustentar uma Família Real, não se iludam. Numa República, não só têm de sustentar o Presidente e todo o seu grupo, como têm de continuar a sustentá-lo – a ele, e a todos os outros ex-Presidentes! – e às suas viúvas, bem como as despesas da sua “dignidade de ex-Chefe de Estado”. Ninguém se engane, é economicamente mais barato uma Monarquia que uma República para o erário público. Veja o caso de Portugal: compare o tamanho do meu país com o de Espanha. Compare o número populacional. Compare o número de membros da Família Real e o da Presidência Portuguesa.

- Admite-se que os Portugueses paguem as despesas de um Presidente da República que gasta o dobro da Família Real espanhola?

- Para além de ser economicamente mais barato, é também uma fonte de rendimento para o país. Quantos souvenirs se vendem com a imagem de uma Família Real e quantos com a imagem de um Presidente da República? Até o turismo da República Austríaca tira partido, e com extremo sucesso, da imagem da Imperatriz Sissi e da Família Imperial. Logo, é turisticamente mais proveitoso, também. Quanto rende para uma nação a imagem de uma Família Real? Veja o caso do Reino Unido. Há uma verdadeira máquina de turismo que permite ao Reino Unido usufruir de benefícios tirados com o merchandising feito à custa da imagem real, e isso também tem de ser contabilizado. Há a vantagem da força na representatividade do país. O rei não é ele próprio como indivíduo, ele consubstancia a história do seu reino, é quase a personificação do mesmo, pois a história da sua família confunde-se com a história da própria nação. Isso acarreta-lhe uma obrigação, talvez a mais importante de todas: a de ser o garante de valores. Como primeira família do país, a família real deve ser exemplar. As tradições e os valores são por ela unificados. Mas como são seres humanos e, daí, imperfeitos, podem cometer erros. A forma de os corrigirem serão, também, o exemplo para toda uma nação. Um mero político comete erros e, no fim do mandato, vai embora descansadamente com a sua reforma. Um rei, quando comete um erro, põe em xeque toda uma estrutura. Daí ser uma grande responsabilidade: é um trabalho de 24 horas, por 7 dias da semana, durante toda a vida. Mesmo nas férias.

- E, numa época em que se dá tanto valor a profissionais e à especialização na formação, não se vê que um rei é o profissional da representação de um Estado?

- Ele é educado para ocupar a posição de Chefe de Estado. Vive a sua vida em função dessa “profissão”. É formado, desde pequeno, nos assuntos do Estado. Não terá só a formação, mas também a experiência. E esta será, talvez, a maior de todas as vantagens da Monarquia. Quantos no mundo querem ocupar o lugar de Presidente por uma questão de prestígio e poder, e quantos o fazem porque amam verdadeiramente o país e sabem que são as pessoas indicadas para esse lugar? Por melhores que sejam as intenções de um presidente, ninguém poderá fazê-lo melhor do que um rei. Veja o caso da Bélgica. Quem é que permite manter a unidade? O rei, e não os “profissionais da política”. Quanto à questão do voto, que dizem ser a maior vantagem da República sobre a Monarquia, não se enganem. Ao contrário do que se pensa, o povo aclama o rei, ou seja, embora não votando nele, reconhece-o como seu chefe de Estado, o que lhe dá a legitimidade. É uma forma de eleição. Muitos casos há na História de revoluções populares que, não querendo um determinado representante de uma dinastia, escolheram outro. Sem voto. Eu vivo num país cujo chefe de estado foi eleito apenas por 23% da população votante. Como poderá isto ser a vontade de uma maioria?